+Clara Crocodilo fugiu
Clara Crocodilo escapuliu. Revirando meus CDs encontrei O "Clara
Crocodilo" que eu não ouvia há muito tempo. O jazz rock dodecafônico (se é
que a música de Arrigo resiste a alguma classificação) ainda é
surpreendente vinte e tantos anos depois. E a banda Sabor de Veneno que
gravou o disco é no mínimo improvável, 14 músicos e vários convidados, uma
big band digna do "big". As vozes femininas (Vânia Bastos, Regina Porto,
Tetê Espíndola, esqueci alguém?) deliciosas. As masculinas (Arrigo,
imitando os locutores dos programas sangrentos do rádio e pontas dos
outros membros da banda) ásperas e toscas. Contrastes. O já saudoso Itamar
Assumpção fez arranjos de base. Arrigo fez um trocadilho musical ao
anunciar a fuga de Clara Crocodilo por meio de uma ... fuga! Essa turma se
divertia enquanto fazia arte de primeira.
Os anos 80 foram um período de efervescência cultural no campus da USP e
imediações, com manifestações visíveis, especialmente as histórias em
quadrinhos do pessoal que se reunia na revista Balão e audíveis, no que se
convencionou chamar de vanguarda paulistana. Hoje as tiras do Laerte saem
nos jornais, Ná Ozzetti faz sucesso, Itamar morreu cantado e admirado por
tantos, Arrigo foi para a música de concerto e fez até ópera. O que
parecia ser divertimento de um bando de estudantes e malucos era mesmo
para valer!
Ontem encontrei um dos autores do Balão no restaurante do Clube dos
Professores da USP, o Guido,
mais conhecido como Gus, autor dos impagáveis "Huffes". Guido não mais
faz quadrinhos, hoje dá aulas de televisão digital e coisas assim na
Escola Politécnica.