+Desmundo
Acabo de voltar do cinema onde fui ver "Desmundo" de Alain Fresnot e
confesso que tive mixed feelings pelo filme.
Do lado bom, a música (do maestro John Neschling, com uma ponta de Arrigo
Barnabé) e a reconstituição de cenários e modo de vida do Brasil do século
XVI, calcada nas pinturas e grvuras de artistas visitantes europeus e em
um bocado de imaginação. Um ponto alto é o duelo eqüestre, cujo desfecho
só se deduz pelas cenas finais.
Do lado ruim não gostei do uso do patois ibérico quinhentista,
idioma que perceptivelmente os atores não dominam. Melhor seria se os
diálogos fossem em português moderno. Afinal, no filme Ben-Hur falava
inglês (com acento cockney) e não latim ou aramaico! O uso da língua
arcaica levou a um certo overacting, uma perda de naturalidade
interpretativa. Outra coisa é essa maldita mania do cinema brasileiro
querer imitar a televisão. Muito do ritmo, cortes, planos, iluminação
remete à minisséria "A Muralha" que passou na Globo e que retrata uma
época pouca coisa posterior.
Pesando tudo, meus oito mangos do ingresso foram bem usados. A alternativa
seria "Matrix Reloaded" que ainda vou ver e comentar aqui.